quarta-feira, 29 de agosto de 2012

MAIS UM PROJECTO

Mais um projecto para o vosso humilde anfitrião deste blogue.

Trabalhando com o Rúben Correia e a Helena Castro Ferreira para um pequeno filme de animação a sair baseado no livro do Rúben, "O Planeta Fogo".
Aqui estamos nós em pleno brainstorming.

PS: O tal projecto de que eu estava a falar neste post, é outro ainda. Vão ficando atentos...


terça-feira, 28 de agosto de 2012

TEMPO DE MEXER COM AS COISAS...

Pensar pequeno é morrer pequeno.

Criando um projecto novo e diferente. Algo ambicioso, mas isso dá-me mais força ainda. Não depende só de mim, mas se tudo correr como planeado, isto será grande...

Aliás, dá pra ver bem pela minha cara maquiavélica e pensativa que isto é ambicioso...



Como diria o meu amigo Seal (nas palavras de Sam Cooke), "A Change is Gonna Come"!


sábado, 25 de agosto de 2012

RÚBEN CORREIA SUGERE 2 (25/08/2012)

Segundo episódio da rubrica do jovem escritor açoriano para os seguidores aqui do Pensamentos e Tretas: Rúben Correia Sugere.

De novo, se tiverem algo que queiram propor ao Rúben para que sugira no programa, podem enviar-lhe um mail clicando aqui.
Podem encontrar o perfil do Rúben no Facebook clicando neste link, e podem/devem visitar o seu site e seguir vários aspectos da sua jovem e notória carreira clicando neste outro link.
Além disso, caso queiram algum cartoon do talentoso Ricardo Campus, podem visitar o seu site clicando aqui.
Enjoy!


RESUMO DA MINHA SEMANA NO YOUTUBE

Esta semana, estive lá pelo YouTube em mais um Vlog do Hélder. Neste, mais bastidores de "Deolinda Guégué e os seus 3 maridos" com muita diversão pelo meio e públicos fantásticos. Além disso, podem ver um pouco do Hélder a ser entrevistado para um documentário a sair sobre a nossa região, concerto de Vânia Dilac e a Banda Negra nas Noites de Prestígio da Câmara de Ponta Delgada, e o Hélder a visitar mais uns sítios por aí.

Já sabem que podem subscrever aos Vlogs do Helfimed clicando aqui, ao canal do Helfimed clicando neste, ao Mjimbóra Jogar clicando neste outro, e podem votar uma vez por dia no Hélder para a Gala YouTube 2012 clicando neste texto a vermelho.
See ya daqui a pouco!


MÚSICA DA SEMANA 9

Eu sou um grande fã de música Soul. Eu sou um grande fã do som de Seal.

Escusado então é dizer que quando Seal lança em 2008 um cd de nome "Soul", no qual este interpreta alguns êxitos de grandes nomes de música Soul, isto para mim foi ouro sobre azul. Adoro aquele álbum de Seal e ouço-o regularmente. Mas hoje a atenção não vai para esse álbum.

Recentemente vi que Vânia Dilac, minha querida colega de elenco na "Deolinda Guégué", andava a descobrir algumas músicas desse álbum. Informei-a que tinha o cd e emprestei-lhe para que o pudesse apreciar, como sei que o fará.
E isto fez-me pensar em algo: havia algum tempo que não ouvia nada de novo de Seal.
Qual não é o meu choque em descobrir que Seal havia lançado um "Soul 2"!!! Fiquei mesmo embasbacado com o facto de isto ter-me passado completamente ao lado, ainda para mais tenho praticamente tudo do tipo e mais chocante ainda é sendo o fã que sou do primeiro "Soul"


Pois bem. O que tenho ouvido/descoberto esta semana: "Soul 2" de Seal. Admito que prefiro o primeiro, mas este também é grande som. Soul é sempre bom. É sensualidade, é peace of mind, é estar vivo.
Vão buscar um copo de bom vinho tinto, sentem-se na poltrona(acompanhados ou sós), abaixem as luzes e deixem o Soul invadir-vos. Como mostra deste álbum, fiquem com o tema "Lean on Me", original de Bill Withers; o tema "Wishing on a Star" (a minha preferida deste cd), um original de Rose Royce; "Back Stabbers" (segunda preferida), original dos The O'Jays; e o tema "Oh Girl", original dos The Chi-Lites.
Enjoy!!!






sábado, 18 de agosto de 2012

RÚBEN CORREIA SUGERE 1 (18/08/2012)

Primeiro episódio de uma nova rubrica semanal no blogue: Rúben Correia Sugere.

Todas as semanas, podem contar com as sugestões do celebrado jovem escritor açoriano Rúben Correia aqui no Pensamentos e Tretas. Estas serão de tudo o que o Rúben quiser e neste primeiro episódio o foco do autor de "O Planeta Fogo" e de "Kamel e a Lâmpada Árabe" vai para a literatura, tema que nos é muito querido cá pelo blogue.

Se quiserem propor algo para que o Rúben sugira, é só enviar-lhe um mail clicando aqui.
Visitem o seu site, onde podem seguir vários aspectos da sua jovem, mas já fértil, carreira. É só clicarem neste link.
Também podem encontrar o seu perfil no Facebook clicando aqui.

Enjoy!

RESUMO DA MINHA SEMANA NO YOUTUBE

Bem, para ser sincero é o resumo de duas semanas, pois a semana passada não meti esta rubrica no ar.
De novo, apenas vídeos em que eu tenha aparecido ou colaborado e apenas vídeos do YouTube.

Nestas duas semanas foram 3, todos para o Hélder. O terceiro Mjimbóra Jogar, bem como o sexto e sétimo V-Logs do Helfimed, onde podem ver muita loucura dos bastidores da "Deolinda Guégué e os seus 3 maridos".

Para finalizar, duas coisas.
Primeiro, vou estrear hoje (em princípio) uma nova rubrica semanal no blogue. Nesta rubrica, um colaborador novo irá dar aqui neste espaço sugestões pessoais para os nossos seguidores.
Segundo, o Hélder está outra vez a votos na gala YouTube Portugal em 3 categorias: "Youtuber do Ano", "Série/Rubricas do Ano" e, nem de propósito, "Vloguer do Ano". Por isso, sejam amigos e apoiem-nos clicando aqui para votarem nele.

Força!






quinta-feira, 16 de agosto de 2012

7 TRETAS SOBRE OS "JOGOS SEM FRONTEIRAS"

A nostalgia é algo muito falacioso. Faz-nos ver o Passado com óculos de lentes mais cor de rosa do que na verdade eram.

Como muitos da minha idade e não só se recordam, os "Jogos Sem Fronteiras" era um programa que era altamente visualizado por vários lares nos seus tempos áureos.
Para os mais novos que o desconheçam, este era um concurso comparticipado por várias estações de t.v. europeias, no qual se juntavam semanalmente equipes de uma qualquer cidade dos países representantes para competirem em provas e joguitos físicos todos relacionados com um tema geral (gastronomia, arte, cinema, música, etc.). Todas as semanas um dos países diferentes presentes na prova era o anfitrião do programa, o que permitia uma justa organização das provas por cada país, além de que todas as cidades participantes tinham direito a uma pequena promo "à la" vídeo turístico de 15 segundos sensivelmente durante cada programa, dando azo a uma grande exposição das diferentes cidades de cada país e uma boa função pública para cada uma destas.



Apesar de inicialmente poder parecer haver um risco de predominância da língua francófona (o logo era "Jeux Sans Frontières" e o árbitro principal era um homem belga com um generoso bigode de nome Denis Pettieux, que tornou famosa a expressão seguida de um apito com a qual se iniciava cada prova "Attention... Trés!! Priii!!!!"), a verdade é que tal não acontecia. Havia sem dúvida uma noção de igualdade para todos os países presentes.
Embora mesmo nessa altura eu achasse o programa algo básico, é inegável que este resultava numa coisa que procurava almejar de forma infalível: o conceito de Europa unida.
Este era um programa que surgiu quando se germinava o conceito de C.E.E. e era um bom reflexo do ideal utópico do que se queria para a mesma. Uma Europa próxima, de oportunidades iguais para todos, de diversidade aliada a união, onde a competitividade que havia era de fair-play e no final todos celebravam, quer perdessem ou ganhassem.

Ora recentemente vi uma das edições dos Jogos Sem Fronteiras na RTP Memória, e com os meus 30 anos reparo em certas coisas de forma mais acutilante. Algumas já tinha a noção na altura, mas outras descubro hoje. Decidi então expor aqui algumas das coisas que reparei recentemente no programa.
Penso que será giro para quem tem na memória o mesmo, ver se concorda comigo nestes 7 pontos ou não.
Sendo assim, comecemos por um positivo:

1 -  Serei eu o único que sente um arrepio muito ligeiro ao ouvir a música inicial do programa e ao ver o genérico inicial? Ao abrir o programa, para alguns de nós daquele tempo, quase que se viaja um pouco no tempo para o Passado.


2 -  Hoje questiono-me sobre algo. Haveria algum prémio monetário associado à participação no programa em caso de vitória?
No programa que eu vi, as equipes comportavam-se de uma forma mais intensa do que se de uma final de um Mundial de Futebol ou de uma final Olímpica se tratasse!
As equipes que pior se comportavam mostravam grande desilusão e vergonha, andavam cabisbaixos, até apanhei um colega de equipe danado com outra colega por esta ter tido uma prestação menos boa.
Os que ganhavam, regozijavam de grande alegria, enorme orgulho, tremenda exultação.
Os que ainda não sabiam o seu resultado demonstravam muita ansiedade e nervosismo.
Ao ver toda esta intensidade fico confuso, tal é na minha cabeça a irrelevância disto tudo, pois afinal não passava de um programa de t.v. básico e sem cariz oficioso de maior.
Talvez não me esteja a explicar bem, mas... que raio! Não é como se aquilo contasse para os anais da história desportiva ou a carreira de algum participante que se destacasse fosse agora começar a ir de vento em popa atingindo um estrelato qualquer...
De facto, só posso presumir que houvesse algum bolo monetário para os mais bem sucedidos desconhecido do público. Se algum de vós participou neste programa, por favor tirem-me esta dúvida. Se houver, posso compreender um pouco mais. Se não houver, é tudo um pouco ridículo...


3 -  Uma das coisas que mais me choca em que só reparo mais nos dias de hoje: Uau, as provas eram estúpidas e básicas como o Diabo....!
A sério, a maioria consistia em joguitos de crianças do mais idiota e elementar possível. Alguns até eram tão básicas como apenas trepar um corda!
Aliás, a maioria das provas envolviam quatro coisas: uma piscina, cordas, corridas ou carregar objectos. Ou uma combinação das quatro! Lá de vez em quando num programa lá vinha uma prova algo diferente e imaginativa, mas a maioria não passava disto. O que eles conseguiam fazer era disfarçar muito bem este facto com os guarda-roupas ou acessórios do tema geral do programa, mas hoje é notório demais para mim.
Por exemplo, num programa em que o tema era o Cinema, um dos concorrentes, que estava vendado, carregava objectos como rolos de filme gigantes de um lado para o outro, seguindo as indicações de outro colega, ao estilo da Cabra Cega. Noutro programa em que o tema era Gastronomia, um concorrente, que estava vendado, carregava objectos que representavam frutas gigantes de um lado para o outro, seguindo as indicações de outro colega, ao estilo da Cabra Cega.
.....Repetition much?....


4 -  Todos nós que vimos o programa, lembramo-nos do apresentador homosexual favorito da RTP nos anos 80, Eládio Clímaco (por falar nisso, que raio de nome é Eládio?! E Clímaco?!).
Mas eu não me lembro do nome, ou sequer rosto, das co-apresentadoras portuguesas! Nem uma que seja!!! Vocês lembram-se de alguma?!
Ao ver a co-apresentadora no programa que vi recentemente, juro que até fiquei confuso por não me lembrar que eram dois apresentadores e não só um! E a que eu vi, era do mais desinteressante e desconhecido possível e não me despertou nenhum tipo de lembrança ou memória recôndita, daí a minha ignorância neste campo, talvez.


5 -  Por falar em Eládio Clímaco, uma das coisas que nunca esqueci era a maneira como este pronunciava a palavra suspense. Fazia-o com a entoação francesa da palavra por razão absolutamente nenhuma, parecendo assim o mais snob possível. Era desconcertante ouvir "E Póvoa do Varzim fez uma excelente prova, senhoras e senhores, agora aguardamos a classificação geral. Este é um momento de grande "Síu-sspaan-ce", vamos ver em que lugar..."
Agora, o que eu reparo hoje em dia é a frequência com que ele o dizia! Juro, era por tudo e por nada, mesmo quando não havia "Síu-sspaan-ce" nenhum!! E, de todas as vezes, a vontade de lhe dar um murro quando a diz é maior. Aliás, vejam a foto dele em baixo: quem resiste a não querer dar um murro neste snob wannabe?!
Se fosse uma expressão como "faux pas", ou "déjà-vu", tudo bem. Mas, suspence?!? Give me a break...



6 -  A Tunísia tinha as piores equipas de sempre...


7 - Seria possível este programa existir hoje de novo?
Num tempo em que há televisões rivais em cada país e não apenas um canal de televisão, num tempo em que temos uma Europa desunida, num tempo em que a internet nos dá mais entretenimento do que a t.v., poderia existir de novo um Jogos Sem Fronteiras com a mesma dimensão?...
Duvido seriamente. E se aparecesse provavelmente era pela TVI apresentado pelo Manuel Luís Goucha ou a Teresa Guilherme e rodeado de 10 em 10 minutos de uma tonelada de números de telefone começados por 707 para as pessoas "ganharem dinheiro". Ou então pela SIC apresentado pelo João Manzarra, alguém que considero do menos talentoso possível e de quem não percebo toda a atenção e protagonismo que é dada. De facto, o felácio que o João Manzarra fez ao Pedro Boucherie Mendes deve ter sido do mais divinal possível, tal foi o push que esse idiota, que só sabe sorrir e falar como uma criança com déficit de atenção, teve.


E é isto!
Quem for deste tempo, comente e vejamos se concordam com a visão que tenho de hoje deste programa em vez da visão turva que a Nostalgia nos dá.
Quem não for, comente na mesma.

Deixo-vos com dois vídeos:
A introdução dos "Jogos sem Fronteiras" e três tipos talentosos a gozar com o Eládio Clímaco no primeiro episódio do Duplo D Cast.
See ya!



video


sábado, 11 de agosto de 2012

UM "MÚSICA DA SEMANA"(8) MUITO, MAS MUITO ESPECIAL

É muito, mas muito raro haver um cd que eu ouça do princípio ao fim e descubro que adoro todas as músicas deste cd.
Geralmente há sempre duas ou três músicas num cd em que pensámos "Hmmm... Passa à frente para a próxima".
Mais raro é quando tal acontece com 3 cds da mesma banda!!! Repito, todas, mas todas as músicas são, para mim, excelentes e variadas. Se isso acontece, então sou e serei fã desta banda.
Isto só me aconteceu com duas bandas: The Tea Party e Silverchair. Aliás, Silverchair ultrapassou os 3 cds neste raro acontecimento de adorar todas as músicas.
Mas hoje não é dia de Silverchair, hoje é dia de The Tea Party.


Era eu um petiz que estudava no liceu lá pelos anos 90 e o Hélder diz-me "Ouhme! Isso é bom pra caramba, dá uma escuta!". Faço uma pausa então nos Silverchairs, Lenny Krevitzs, Garbages, Radioheads, Suedes, Bob Dylans, Led Zeppelins, Pearl Jams, e muitos, muitos mais que andavam lé pelo meu leitor de cds. Desde então, The Tea Party tornou-se uma das minhas bandas preferidas de sempre.
De 5 em 5 meses, lá me dá nova vontade de os ouvir e nunca desiludem. Para mim, ouvir esta banda canadiana de rock com influências indio-orientais e orquestrais, é viajar no tempo. É voltar a um tempo em que percebi de como a música é importante na minha vida. A banda havia se retirado recentemente para se dedicarem às suas famílias, mas já prometeram novo album para 2012 (Hurry the fuck up, rapaziada...).

O que se faz então quando se adora todas as músicas de 3 cds e tem de se sugerir quatro ou cinco músicas numa rúbrica semanal como esta para levar as pessoas a descobrir este som fantástico?....
Estou mesmo atrapalhado para escolher quatro ou cinco músicas.... Cada uma que não escolho sinto que estou a abandonar um filho meu...
Eles têm mais cds e também são óptimos, mas para mim nestes 3 não falha uma que seja.


Mas tem de ser. Vou então escolher as músicas não por gosto pessoal (pois adoro todas as músicas destes tipos), mas para mostrar a quem não os conhece músicas que demonstrem as diferentes vertentes desta banda. Ou seja, algumas Rock, algumas com influências de música indiana, algumas com orquestração, algumas com influências marroquinas, etc. E mesmo assim, tive de escolher pelo menos 7 músicas...

Vejam o título do post. Esta não é uma banda qualquer para mim. Mais elevada do que esta, talvez Silverchair, Radiohead ou Led Zeppelin.
Quero então com isto dizer.... Porque raio estão aí parados e não vão mas é arranjar os cds destes gajos?!....
Mau...









terça-feira, 7 de agosto de 2012

"NEURAS" ACTUAIS

Já no outro dia referi de como é impressionante que as crónicas de Miguel Esteves Cardoso na rubrica "A Causa das Coisas", escritas em meados dos anos 80, ainda eram extremamente relevantes nos dias de hoje. Além do humor ainda presente nelas.

Ora, relendo o livro do mesmo nome que reúne várias destas crónicas de 80s e tais, encontro outro artigo ainda mais relevante para muita, mas mesmo muita gente que conheço. Intitula-se "Neura". Realmente, há coisas que não mudam com o tempo.
Aqui têm na totalidade o artigo. Se vos tocar pessoalmente, então tentem pensar sobre o que aqui é dito e mudar um pouco a vossa maneira de ser.



"NEURA"

   "Aos Portugueses não basta o tédio, a melancolia, o fastio ou o spleen. Para nós, tudo isso é coisa pouca e passa com um copo ou oito. Em Portugal, inventámos uma via portuguesa para a depressão que se compõe de todas as mágoas internacionais (tédio + melancolia + fastio + spleen) acrescentadas das nossas especialidades caseiras, nomeadamente a saudade e o sebastianismo. A este "coquetelho" implosivo chamamos a Neura.
   A Neura da nossa terra nada tem a ver com neuroses, neurastenias e outros nomes de consultório que os médicos balbuciam enquanto receitam psicotrópicos de Câncer ou de Capricórnio, sempre conforme o signo do doente. A Neura não tem cura. E a Neura não tem cura porque não é grave. É, a um mesmo tempo, pesada e leviana.
   Parece que uma manada de elefantes, desejosos de entrar para o Guiness, está empenhadíssima a tentar ver quantos paquidermes nos cabem na cabeça. Mas basta o fresco pio de uma andorinha para espantá-los todos dali para fora. Na Neura pode acabar a Primavera só por se constipar uma andorinha. Mas recomeça só por ela deixar de fungar. Mesmo que, para isso, tenha pegado uma pneumonia a todos os pássaros de Portugal.
   A Neura não tem cura porque os Portugueses, quando a têm, não a querem curar. Querem é alimentá-la. Quando estamos com a Neura, é como se estivéssemos com uma grande amiga nossa. - "O quê? Não me digas que não conheces a Neura?"  Caso a Felicidade bata à porta, não a deixámos entrar e, com a porta semicerrada, sussurramos-lhe "Desculpa lá, ó Felicidade, mas agora não dá - é que estou com a Neura..."  E a Felicidade fica na escada.
   Se se dá o contrário - se reina a Felicidade em casa e de repente aparece a Neura - é a Felicidade que vai imediatamente para a rua. A Neura é com quem os Portugueses estão bem. Se um europeu está triste, vai ao gira-discos e põe um disco alegre (sobretudo os Espanhóis, que curam facilmente as depressões com meia hora a bater palminhas). Os Portugueses dirigem-se imediatamente ao Leonard Cohen ou à Amália Rodrigues, escolhem a canção mais deliciosamente depressiva e anicham-se na fossa como toupeiras em argila quente. Os estrangeiros não compreendem porque é que as casas de fado estão cheias de sorumbáticos e macambúzios, a borrar o xadrez das toalhas com o ácido das lágrimas - pensam que são as canções que os entristecem e apetece-lhes pedir à fadista que escolha umas cantigas mais animadoras. Seria o motim! A revolução! Ou, pior ainda, a alegria! Os estrangeiros saem para se alegrarem, quando estão um pouco em baixo. Os Portugueses não, e se saem quando estão um pouco em baixo, é para ver se descem mais um pouco. A Neura é uma aventura e, para um português que está em baixo, só Júlio Verne e a Viagem ao Centro da Terra.
   Se os estrangeiros têm vergonha de dizer que estão tristes e disfarçam, falando do clima ou dos jardins, os Portugueses vangloriam-se publicamente. Pergunta-se, por educação, a um estranho qualquer se "passou bem" e ele levanta as sobrancelhas até baterem no risco-ao-meio, enche o peito ufano e diz "Já que me pergunta, tenho passado muito mal, sabe?"  Se se dá o caso raro de estar extremamente feliz - um estado socialmente inaceitável - disfarça dizendo que está "menos mal". Destina-se esta expressão a informar que já esteve péssimo; que agora, sabe-se lá porquê, está somente muito mal, mas que dentro em breve regressará à Neura, ou seja, à normalidade.
   Os Portugueses desconfiam profundamente das pessoas alegres. Para os de Esquerda, a Alegria é um pouco fascista, toda "lá vamos cantando e rindo". Para a Direita, a Alegria é igualmente comunista e barbuda, feita de vinho tinto e sardinha assada, muito Avante e festa do povo, o que é sempre preocupante. Experimente-se dizer a alguém que se é "feliz" e vejam-se as reacções atónitas. Ser feliz em Portugal é a maior perversidade cultural que se pode imaginar.
   Uma amiga minha dizia-me há pouco que se irritava com a nova moda em Portugal em matéria de cumprimentos. Depois da fase malcriada do comentário exterior ("Está mais gordo", "Não está com boa cara"), ultrapassaram-se todos os limites da decência social e já se invade impertinentemente a esfera mais íntima e interior da pessoa com perguntas tipo "Então, bem-disposto?"  Que se pode responder a uma pergunta destas, excepto "O que é que o senhor tem a ver com isso?"
   Na verdade, o "Então, bem-disposto?" dos Portugueses é dito entre nós à maneira de dois hereges que são torturados lado a lado numa masmorra da Inquisição. É absolutamente irónico. Dada a maneira como os Portugueses põem e dispõem das coisas, como é que as coisas podiam estar se não mal dispostas? Já que não nos sabemos organizar sentimentalmente, preferimos o caos conhecido da Neura ao delírio, desconhecido da boa disposição. A Neura é para ser proposta, descomposta e, sobretudo exposta. O jogo é "Se me mostrares a tua Neura, eu mostro-te a minha". E assim vai sendo exposta, às postas, para durar mais.
   Quando não se está com a Neura, o melhor é uma pessoa enfiar-se em casa, fechar as persianas todas e não falar com ninguém. O interessante é que, para um Português, quando se está com ela também se deve fazer o mesmo. Mas o porquê de se fazer o mesmo quando não se está com ela? Em primeiro lugar, porque é considerado anti-social e pedante não se estar com ela. Em segundo lugar, porque a Neura é altamente contagiosa. Quando uma pessoa está com a Neura, está garantida a epidemia pública. E não se transmite apenas às pessoas, mas também às coisas e aos sítios. A Neura é inefável e galopante. Os bares são uma Neura e, para um português de gema, até a queda de Constantinopla seria uma Neura.
   A Neura tem dois compostos únicos - a saudade e o sebastianismo. A saudade não é da felicidade da infância, nem o sebastianismo se dirige à esperança de uma grande alegria no futuro. A saudade é só da Neura que se tinha quando se era pequenino - a Neura miudinha e inconsequente do beicinho e da birra. "Ai, que saudades do tempo em que tinha muitas Neuras diferentes num só dia...". diz o indivíduo típico, ao reparar que as Neuras são mais longas e mais entediantes quando se atinge a idade adulta.
   O sebastianismo da Neura está na esperança messiânica que a Neura da velhice se atenue com a proximidade da morte. Só o prazer de ter a certeza absoluta que uma Neura não vai passar é o suficiente para ir mantendo as esperanças. Esperança, em português, é esperar. Não é agir para ajudar as coisas desejadas a acontecer. É ser simplesmente espectador. E quem nos faz companhia enquanto ficamos especados à espera "que chegue"? É a Neura.
   Porque é que os Portugueses gostam tanto de estar com a Neura? Se saísse uma antologia chamada A Neura na Poesia Portuguesa, teria pelo menos dez volumes e seria o êxito de vendas do ano. Um português que lê António Nobre não se impressiona tanto com a qualidade literária dos poemas como com a sensação gratificante do parentesco: "Olha... o António Nobre era como eu... também estava sempre com a Neura!"  Aliás, a Neura de António Nobre, como a Neura contemporânea, é sobretudo exuberante, cheia de pontos de exclamação: "Estou com a Neura! Iupii! Estou mesmo desesperado! Viva! Eia! Eia! Nunca estive tão deprimido em toda a minha vida!"
   No fundo, a Neura é a maneira que os Portugueses têm de proteger-se das grandes depressões. A Neura nunca leva à tragédia nem ao suicídio. Aguenta-se bem e é uma morrinha que conta com a vantagem de ser comunicativa. As grandes depressões são solitárias. A Neura é um arraial. Os grandes males têm o inconveniente de requerer grandes remédios, sempre difíceis de obter. A Neura, como tantas coisas em Portugal, é um mal menor e remedeia-se a si mesma. Se estivermos com a Neura, não há perigo de resvalar para as macroangústias, porque a Neura abafa tudo e concentra todas as suas energias. Os povos mais alegres têm taxas de suicídio mais altas, porque não suportam que a vida não tenha um mínimo de felicidade. É a Neura. A boa, velha Neura portuguesa. É uma Neura, mas aí está."


Dedico este post a todas as pessoas a quem servir o barrete. E conheço muitas, mas mesmo muitas....
Vejam isto como uma coisa constructiva.




MJIMBÓRA JOGAR 03 - RESIDENT EVIL: OPERATION RACCOON CITY

E aqui está o terceiro Mjimbóra Jogar, para o canal do Hélder.
Desta vez, Resident Evil: Operation Raccoon City.
Arghhhhhh........



Se querem um pouquito dos bastidores deste vídeo, é clicar aqui.

domingo, 5 de agosto de 2012

MÚSICA DA SEMANA 7

O que tenho ouvido esta semana descobri por mero acaso há uns mesitos atrás navegando pelo YouTube.
The Piano Guys.
The Piano Guys são uma dupla de um pianista e violoncelista de enorme talento, que decidiram criar um canal no YouTube. Rapidamente tornaram-se um enorme sucesso.
Esta dupla não só nos traz as suas interpretações mais modernas de música clássica, como lá pelo YouTube pegam em músicas que os fãs/utilizadores solicitam e adaptam-nas à sua maneira. Estas sugestões passam por músicas pop (Adele, Coldplay, Bruno Mars), disco (David Guetta), rock (Elvis), até bandas sonoras (Guerra das Estrelas, Pirata das Caraíbas), o que quiserem, e eles lá fazem a música e põem-na no ar.
Visitem-nos no YouTube lá no canal deles, deixem sugestão nos comentários da(s) música(s) que querem ver alterada por eles. e quem sabe tal não acontecerá.

Aqui vou pôr 4 músicas deles. Como sempre, é super difícil escolher só algumas...

A primeira, pegaram na música dos "One Direction" de nome "What Makes You Beautiful" e interpretam-na de forma estonteante.

A segunda, é um original de Jon Schmidt, o pianista desta dupla. "All of Me" é um remake da sua própria música. Eu ADORO esta música, é mesmo fantástica.

A terceira mais clássica, também VENERO. É uma música que me diz muito: escura, sombria, e prestes a rebentar. Por algum motivo, identifico-me mesmo com este som. "Michael(o violoncelista) Meets Mozart" Escrevo muitas vezes, quer o meu livro quer no blog, ao som desta música, tal como agora o estou a fazer.

A quarta, é uma escolha mais popular. "More Than Words", original dos Extreme. Não sou grande fã deste som, mas sei que muita gente é. Para os que são, ponho-a aqui também.

De novo, tal como meti estas quatro, poderia pôr outras quaisquer. Vejam/ouçam todos os vídeos dos tipos, não o posso recomendar mais vivamente.
Enjoy!






RESUMO DA MINHA SEMANA NO YOUTUBE

Semana muito ocupada por isso não houve muito aqui pelo blog. Aliás, todo este mês e parte de Setembro (até agora) serão ocupadíssimos, mas  tentarei dar sempre um pulo por cá.

Esta semana não houve muito de mim pelo YouTube. Apenas um: o 5º V-Log do Hélder onde o grande destaque vai para os bastidores do vídeo que fizemos para o canal do Duplo D, "Na T.V. e na Realidade 1 - Morangos com Açúcar", bem como bastidores do próximo Mjimbóra Jogar.
E sim, diz Ponta Delgaza no V-Log. Uma pessoa já não pode enganar-se...

Estou desconfiado que próxima semana o resumo da minha semana no YouTube será um pouco maior... Chamem-lhe um feeling...